Os professores de Matemática não gostaram de ver o ministro da Educação, David Justino, a subscrever as propostas da comissão constituída para melhorar o ensino da disciplina - e que, entre outras coisas, desaconselha "a utilização indiscriminada" da máquina de calcular nos primeiros anos de escolaridade. Reunidos em Santarém, acusam-no de "total inconsistência científica" em declarações que relacionam o insucesso dos alunos nesta área ao uso de calculadoras.
Numa moção aprovada no final de um encontro nacional - ProfMat, que durante três dias reuniu 1200 professores dos vários graus de ensino -, os profissionais questionam se serão medidas como a anunciada intenção de limitar o uso de calculadoras dos primeiros seis anos de ensino básico que resolverão o problema do insucesso em Matemática e em Ciências.
"Há hoje evidência científica suficiente para afirmar que a utilização de calculadoras não é responsável pelas dificuldades que as crianças e jovens revelam no cálculo e que, muito pelo contrário, uma boa utilização das calculadoras potencia aprendizagens fundamentais para o desenvolvimento das competências matemáticas indispensáveis para todos os cidadãos", lê-se na moção.
O documento lembra que a Associação de Professores de Matemática "tem pautado o seu trabalho, ao longo de 18 anos, pela promoção de um ensino de matemática de qualidade", desenvolvendo os seus associados "experiências, reflexão, pesquisa e conhecimento sobre a utilização das calculadoras, acompanhando e participando na investigação internacional neste domínio".
Os professores disponibilizam a sua "experiência e conhecimento para colaborar com o Ministério da Educação na construção de melhores soluções para um ensino básico de qualidade para todos".
Na abertura do encontro, o presidente da APM, Fernando Nunes, tinha lamentado o desprezo a que o Governo tem votado uma organização que conta com cinco mil associados, que não foi chamada a participar na comissão para a matemática e que viu ignorados todos os pareceres que lhe foram solicitados.
in Público
É esquisito que uma comissão para melhorar o estudo da matemática não integre elementos, nem aceite sugestões de uma Associação de Professores de Matemática.
Publicado por vmar em novembro 23, 2003 11:47 PM